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Multimarcas ainda (re)sistem

há 20 horas
2 min de leitura

Durante muito tempo, ouvimos que as lojas multimarcas estavam com os dias contados...


Lojas próprias, e-commerce, marketplaces, venda direta das marcas ao consumidor. Não faltaram mudanças que pareciam apontar para o enfraquecimento desse canal.


Mas as multimarcas continuam aí.


Segundo dados do IEMI divulgados pela Revista Costura Perfeita, o varejo multimarca de moda voltado ao público A/B movimenta cerca de R$ 49 bilhões por ano no Brasil.


E esse recorte de mercado é relevante. Embora representem 23,6% da população brasileira, as classes A e B respondem por 52,3% do consumo de vestuário no país. Como referência, o varejo brasileiro de vestuário movimentou R$ 312,5 bilhões em 2025, com 6,3 bilhões de peças comercializadas.


Existem razões para esse modelo continuar fazendo sentido. Para o consumidor, a multimarca reúne curadoria, variedade de marcas e produtos e, muitas vezes, um atendimento mais próximo e especializado.


Mas e para quem está do outro lado dessa relação?


A pesquisa “Melhores Marcas para se Vender”, realizada pelo IEMI com 711 lojistas multimarcas de moda feminina e masculina de todo o Brasil, ajuda a olhar para essa relação pela perspectiva de quem compra para revender.


Na hora de escolher e manter uma marca, o lojista olha para giro, margem, política de preços, atendimento comercial, logística e pós-venda. Não basta o produto ser bom ou a marca ser conhecida. Ela precisa funcionar dentro do negócio da loja.


E para uma marca, quando faz sentido vender no atacado?


A decisão envolve estrutura de custos e margens, capacidade de produção e entrega, capital de giro, estratégia de distribuição e política comercial. Também é preciso definir qual será o papel do atacado dentro do negócio.


Quando atacado e venda direta convivem, surge ainda outra questão: como equilibrar esses canais. Preços, promoções, lançamentos e condições comerciais precisam ser pensados para que um canal não trabalhe contra o outro. Uma promoção no e-commerce próprio, por exemplo, também interfere na percepção de preço de um prod

uto que está sendo vendido por uma loja parceira.


Atacado, portanto, não é simplesmente mais um canal para escoar mercadoria. É uma decisão estratégica sobre como a marca vai chegar ao mercado e como vai construir sua relação com os diferentes canais de venda.


As próprias multimarcas também se ajustaram ao longo do tempo. Hoje convivem diferentes formas de compra, do pedido programado à pronta-entrega e a modelos que combinam os dois, permitindo ajustar compras e reposições à realidade de cada negócio.


No fim, os canais mudam, assim como as relações entre marcas, lojistas e consumidores. A questão é construir um modelo que faça sentido para quem compra, para quem vende e para quem consome.



Fonte dos dados: IEMI – Inteligência de Mercado, divulgados pela Revista Costura Perfeita.

 
 
 

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